O projeto O.bra é uma
espécie de cartão postal destacável e circulável, não por meios
convencionais como o correio, mas sim de mão em mão. Ele busca
fazer uma reflexão sobre a cultura massificada de consumo numa
sociedade cujo todos os dias somos bombardeados com imagens impostas
pela grande mídia afim de incentivar o consumo.
Este trabalho,
além de fazer um questionamento direto sobre a problemática social
de consumo de arte e "obras", busca também arrecadar
imagens daquilo que as pessoas consideram uma "obra",
fazendo assim um banco de dados do qual surgirão novas oposições e
questionamentos.
Além desta abordagem, o projeto visa também a
crítica em formato de arte, ou a arte em formato de crítica.
Milhares de pessoas se utilizam de meios não convencionais para
difundir idéias e pensamentos, não podemos separar a arte da
crítica social. Desde de que a sociedade é considerada como tal,
podemos já vislumbrar o modo pelo qual o consenso sobre a
necessidade de consumo toma conta de nossa sociedade alienando
diversas pessoas afim de que se consuma cada vez mais. Por outro
lado, pessoas avessas a este pensamento, e grupos de artistas há
muito tempo vem fazendo uma crítica pesada a esses meios e produtos
que são criados para solucionar problemas que nunca tivemos, e que a
mídia e grandes corporações nos impõe embutindo valores
supérfluos dentro de nossa sociedade. Podemos citar nessa linha de
pensamento o movimento Dadaísta, os Grafiteiros, artistas como
Barbara Kruger, Basquiat, e atualmente o conhecido e popular Banksy.
Devemos também levar em consideração, as manifestações mais
raivosas como o “Pixo” e os famosos desconhecidos pichadores de
São Paulo e demais centros urbanos. Dentro deste universo
abrangente, podemos observar um ponto em comum entre a arte e a
'anti arte': a crítica social. Diferentes tipos de manifestações,
tomam conta do meio urbano cada dia mais, estamos vivendo um momento
delicado no atual cenário político do país, e não existe melhor
lugar para se manifestar do que na rua onde imensos muros são
transformados em 'telas' prontas para receberem as mais diversas
formas de manifestações, escritas, desenhadas, ou até mesmo
coladas, os muros se tornam grandes obras com infinitas
possibilidades, e a maioria dessas manifestações manifestações
expostas na paisagem provém de críticas sociais.
É discutível
o ponto de vandalismo e arte, em 2008 a Bienal de São Paulo foi alvo
de pichadores. Um dos andares de uma das maiores exposições de arte
da América Latina, estava vazio, mas ele não chamou atenção por
este fato, e sim porque foi alvo de pichadores que utilizaram o spray
sem piedade nos corredores brancos do prédio localizado no parque
Ibirapuera. Na época houve uma grande repercussão e muitas pessoas
afirmaram ser um ato de vandalismo que deveria ser punido. É fato
que não houve autorização para a intervenção, ao contrário de
todo o resto da exposição, mas porque deixar um andar inteiro
vazio? A parede branca significa algo? Talvez o grupo de pichadores
tenha conseguido o que buscava, atenção e reconhecimento, pois 2
anos mais tarde, na Bienal de 2010 eles estavam lá, expostos com os
demais grandes artistas que foram escolhidos para participar da 29º
Bienal de São Paulo.
É tragicômico como o sistema se
apropria e engole tudo que é gerado e vai contra ele, e a arte não
foge a isto. Quando surgiu o graffiteiro Banksy, no subúrbio inglês,
ele era cassado pela polícia e seus grafites apagados. Hoje em dia
eles tem vidros de proteção e são considerados patrimônio público
e os policiais os protegem. Nos anos 80 quando Jean-Michel Basquiat
desenhava pelos portões de garagens e muros da sua famosa coroa de
3 pontas junto ao seu codinome SAMO, muitos portões foram vendidos
por preços muito superiores do que um novo em uma loja, e outro
conhecido artista no meio de consumo de arte e famoso pela principal
vertene consumista da arte, a POP Art, Andy Warhol patrocinou
Basquiat e o inseriu dentro do sistema de museus e galerias. Nos
resta pensar até que ponto isto é ruim? Basquiat não tinha uma
vida digna, passava dificuldades financeiras e tinha problemas com
drogas, é importante a acensão social e a perda de um artista de
rua que critica fortemente a sociedade enfrentando os perigos da rua
para fazer sua mensagem ser vista por muitos? É valida a apropriação
do mercado?
Por outro lado milhares de artistas assumidamente
comerciais estão por aí, é o caso de Romero Britto que possui uma
marca própria de produtos e vende desde cases para celulares até
sandálias de praia. Isto é arte? É tão arte quanto picho? É
mais, ou é menos?
São estes questionamentos que o “Projeto O.bra” busca levantar através da oposição de imagens.
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