domingo, 16 de março de 2014

Projeto O.Bra: Qual obra é relevante para você?




o·bra 
(latim opera-aetrabalho manual)
substantivo feminino
1. Produto de um agente.
2. Produção intelectual.
3. Manifestação dos sentimentos.
4. Edifício em construção.
5. Composturaconserto.
6. Qualquer trabalho.
7. [Informal]  Tarefa ou empresa difícil e custosa (ex.: acabar isto foi obra!).
8. [Popular]  Tramoiamalícia.

"obra", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/obra [consultado em 12-02-2014].


O projeto O.bra é uma espécie de cartão postal destacável e circulável, não por meios convencionais como o correio, mas sim de mão em mão. Ele busca fazer uma reflexão sobre a cultura massificada de consumo numa sociedade cujo todos os dias somos bombardeados com imagens impostas pela grande mídia afim de incentivar o consumo.
Este trabalho, além de fazer um questionamento direto sobre a problemática social de consumo de arte e "obra", busca também arrecadar imagens daquilo que as pessoas consideram uma "obra", fazendo assim um banco de dados do qual surgirão novas oposições e questionamentos.
Além disto, o projeto visa também a crítica em formato de arte, ou a arte em formato de crítica. Milhares de pessoas se utilizam de meios não convencionais para difundir idéias e pensamentos, não podemos separar a arte da crítica social. Desde os Dadaístas, passando por Andy Warhol, atualmente no conhecido e popular Banksy e até mesmo os pixadores de São Paulo podemos observar algo em comum, a crítica a sociedade. A arte toma conta do meio urbano a cada dia, e a maioria das manifestações expostas na paisagem provém de críticas sociais.


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Contribuições:




Problemática: A crítica através da arte. A arte através da crítica.

O projeto O.bra é uma espécie de cartão postal destacável e circulável, não por meios convencionais como o correio, mas sim de mão em mão. Ele busca fazer uma reflexão sobre a cultura massificada de consumo numa sociedade cujo todos os dias somos bombardeados com imagens impostas pela grande mídia afim de incentivar o consumo.

Este trabalho, além de fazer um questionamento direto sobre a problemática social de consumo de arte e "obras", busca também arrecadar imagens daquilo que as pessoas consideram uma "obra", fazendo assim um banco de dados do qual surgirão novas oposições e questionamentos.


Além desta abordagem, o projeto visa também a crítica em formato de arte, ou a arte em formato de crítica. Milhares de pessoas se utilizam de meios não convencionais para difundir idéias e pensamentos, não podemos separar a arte da crítica social. Desde de que a sociedade é considerada como tal, podemos já vislumbrar o modo pelo qual o consenso sobre a necessidade de consumo toma conta de nossa sociedade alienando diversas pessoas afim de que se consuma cada vez mais. Por outro lado, pessoas avessas a este pensamento, e grupos de artistas há muito tempo vem fazendo uma crítica pesada a esses meios e produtos que são criados para solucionar problemas que nunca tivemos, e que a mídia e grandes corporações nos impõe embutindo valores supérfluos dentro de nossa sociedade. Podemos citar nessa linha de pensamento o movimento Dadaísta, os Grafiteiros, artistas como Barbara Kruger, Basquiat, e atualmente o conhecido e popular Banksy. Devemos também levar em consideração, as manifestações mais raivosas como o “Pixo” e os famosos desconhecidos pichadores de São Paulo e demais centros urbanos. Dentro deste universo abrangente, podemos observar um ponto em comum entre a arte e a 'anti arte': a crítica social. Diferentes tipos de manifestações, tomam conta do meio urbano cada dia mais, estamos vivendo um momento delicado no atual cenário político do país, e não existe melhor lugar para se manifestar do que na rua onde imensos muros são transformados em 'telas' prontas para receberem as mais diversas formas de manifestações, escritas, desenhadas, ou até mesmo coladas, os muros se tornam grandes obras com infinitas possibilidades, e a maioria dessas manifestações manifestações expostas na paisagem provém de críticas sociais.

É discutível o ponto de vandalismo e arte, em 2008 a Bienal de São Paulo foi alvo de pichadores. Um dos andares de uma das maiores exposições de arte da América Latina, estava vazio, mas ele não chamou atenção por este fato, e sim porque foi alvo de pichadores que utilizaram o spray sem piedade nos corredores brancos do prédio localizado no parque Ibirapuera. Na época houve uma grande repercussão e muitas pessoas afirmaram ser um ato de vandalismo que deveria ser punido. É fato que não houve autorização para a intervenção, ao contrário de todo o resto da exposição, mas porque deixar um andar inteiro vazio? A parede branca significa algo? Talvez o grupo de pichadores tenha conseguido o que buscava, atenção e reconhecimento, pois 2 anos mais tarde, na Bienal de 2010 eles estavam lá, expostos com os demais grandes artistas que foram escolhidos para participar da 29º Bienal de São Paulo.


É tragicômico como o sistema se apropria e engole tudo que é gerado e vai contra ele, e a arte não foge a isto. Quando surgiu o graffiteiro Banksy, no subúrbio inglês, ele era cassado pela polícia e seus grafites apagados. Hoje em dia eles tem vidros de proteção e são considerados patrimônio público e os policiais os protegem. Nos anos 80 quando Jean-Michel Basquiat desenhava pelos portões de garagens e muros da sua famosa coroa de 3 pontas junto ao seu codinome SAMO, muitos portões foram vendidos por preços muito superiores do que um novo em uma loja, e outro conhecido artista no meio de consumo de arte e famoso pela principal vertene consumista da arte, a POP Art, Andy Warhol patrocinou Basquiat e o inseriu dentro do sistema de museus e galerias. Nos resta pensar até que ponto isto é ruim? Basquiat não tinha uma vida digna, passava dificuldades financeiras e tinha problemas com drogas, é importante a acensão social e a perda de um artista de rua que critica fortemente a sociedade enfrentando os perigos da rua para fazer sua mensagem ser vista por muitos? É valida a apropriação do mercado?


Por outro lado milhares de artistas assumidamente comerciais estão por aí, é o caso de Romero Britto que possui uma marca própria de produtos e vende desde cases para celulares até sandálias de praia. Isto é arte? É tão arte quanto picho? É mais, ou é menos?

São estes questionamentos que o “Projeto O.bra” busca levantar através da oposição de imagens.